segunda-feira, dezembro 6
Dicas de Nova Iorque para Bruno e Jú
Elas surgiram de minha breve estada naquela cidade, nos idos de 2002. A citação à comunidade de Ganas (http://www.ganas.org/), é que foi onde eu fiquei e eles também. Lugar bem surreal. Um dia conto isso melhor....
Aí vai:
Queridos,
Mando aqui as minhas dicas de NY.
Prioritários:
Museus:
1-Metropolitan, fundamental e dar uma passeada no Central Park, do lado e dar uma contornada no museu pelo parque. lindo lindo
2-Moma (só arte moderna, fudids)
3- Guggenhein (vale mais pelo prédio, que é animal, do outro lado do parque também)
4- Whitney, também perto do parque, tem Hopper pra dar com pau, fora que a vizinhança, com predinhos e cafés, é extremamente charmosa
5- Museu de História Natural (esqueletos de dinossauro, a Lucy macaquinha e uns cenários loucos)
6- Cloisters (é um claustro medieval levado pra Manhattan, muito impressionante, lá se tem uma porrada de coisa medieval e uma vista linda de NYC, bem de cima)
7- Museu do Brooklyn, coisa do Egito que não acaba mais e do lado tem o Parque do Brooklyn também, bem legal.
Lugares pra comer:
1 - Empire diner, sensacional, lanchonete das estrelas- (no Chelsea, na 210 10th Ave com 22nd Street) - http://www.nyc-architecture.com/CHE/CHE004-EmpireDiner.htm
2- Magnolia bakery, uma doceria que tem doces melhores do mundo, no Village-tem que comer o "banana pudim". inesquecível (ver endereço e informaçoes em http://newyork.citysearch.com/profile/7117258/ )
3- Corner's Bistro o melhor hamburguer, pela crítica e público ( http://newyork.citysearch.com/profile/7117729), no Greenwich village
4- Macsorleys, o bar mais tradicional de NY, Lincoln tomava chopp lá. Ficar no balcao de fim de tarde (tem feno no chao, até hoje) o saloon, real deal! (verhttp://www.mcsorleysnewyork.com/)
5- Na west broadway, 5th ave, 174 (entre 22nd e 23rd st), ir no eisenberg`s sandwich shop, tomar um "egg cream" bebida típica de NY, tipo um milk shake de água com gás e chocolate, que apesar do nome não vai ovo-mas é bom (http://www.eisenbergsnyc.com/).
6- Ir no soup nazi original (do seinfeld), que é na 259-A West 55th Street, perto da 8th, (http://en.wikipedia.org/wiki/Soup_Kitchen_International), e se forem fanáticos pelo seinfeld tem o tour do Kramer, que é feito pelo cara que inspirou o Kramer ( http://www.kennykramer.com/)
7- Ir em qualquer Dean&Deluca, tem em todo lugar e é tradicional tb.
8- Chelsea Market, um mercado super bacana, no Chelsea ( http://www.inetours.com/New_York/Pages/Chelsea.html)
Procês que curtem computador uma coisa impressioante é a loja da Apple no Soho, tem que ir. Ela é inteira branca, e pode mexer nos negócios novos e tem uns preços de coisa usada (ver http://www.apple.com/retail/soho/week/20070401.html). Fora que na vizinhança tem umas galerias e lojinhas interessantísimas.
Baladas:
1- Obrigatório ir no Village Vanguard, um clube de jazz mais tradicional de NY, que todos os caras importantes tocaram. Tem que ir, tem que ir. Deve ser meio carinho, mas vale a pena ( http://www.villagevanguard.com/)
2- Blue Note jazz (http://www.bluenote.net/newyork/index.shtml), na mesma rua tem uns sebos de discos, 24 horas.
3- Birdland (http://www.birdlandjazz.com/), jazz também, sença
4- Ir dar uma bandola pela Ponte do Brooklyn. Do lado de Manhattan tem a City hall, daí tem que passar a ponte, antigassa, à pé, e do outro lado da ponte contornar. Tem um antigo prédio dos bombeiros que tem uma sorveteria bascana e do outro lado (no Brooklyn), vale a pena dar uma andadinha por ali na beira do rio, e ver os predinhos, que pra mim é o lugar que moraria (se ganhasse na Mega Sena). Chama Brooklyn Heights, e de lá, de noite, se tem a melhor vista de NY
5- Chinatown, pra compra as coisas mais baratas de coisinhas falsetas e camisetinhas, lembrancinhas bem mais baratas que a Times Square
6- Little Italy, do lado de Chinatown, merdinha de pequena (em relaçao à moóca, por exemplo), mas vale a passadela.
7- Dar uma andada pelo Harlem, ir na Riverside Church (http://www.theriversidechurchny.org/)e na Universidade de Columbia (http://www.columbia.edu/ ), nao tao longe, e se der também tem uns restaurantes de "Soul food", comida dos negao, lá no Harlem.
8- Ir no Dakota, edifício que morava o John Lennon e mora Yoko até hoje, na esquina 72nd Street com a Central Park West. Tem uma flechinha amarela na calçada da frente do prédio, onde o John foi baleado. Atravessar a rua e entrar no Central Park, do outro lado da rua, e lá tem o Strawberry fields, em homenagem ao John Lennon, com um mosaico bonito no chao, escrito "Imagine), muito louco. Na mesma 72nd,com a Broadway, na outra direçao, tem o Gray's papaya ( http://www.nyctourist.com/wallpaper_grayspapaya.htm), o hot dog mais tradicional, e bem baratinho e tem o suco de mamao (papaya), bão.
9- Loja da Nba, na 5a avenida ( http://www.nba.com/nycstore/), lá perto tem a Nike Store também.
Na quinta avenida tem tudo também, andar inteira.
Fora isso, se tiverem grana é extremamente romantico andar de charrete, de noite, ao redor do central park.
Se tiver frio suficientemente eles colocam um rinque de patinaçao no rockefeller center e um no Central Park, vale a pena qualquer um dos dois também.
Bom, se quiserem dá pra tentar também pegar ingresso de graça pro David Letterman na
Broadway, entre a 53nd e a 54nd, no teatro onde os beatles se apresentaram pela primeira vez nos EUA, Ed Sullivan theatre(http://www.cbs.com/latenight/lateshow/show_info/tickets/inperson/ ), vale a pena. Dá também pra tentar ir no saturday night live, no prédio da NBC, perto de lá, na 50 (http://gonyc.about.com/od/tvtapings/p/snl_tickets.htm )
Outras baladas:
1- Ir no Madison square garden, casa do NY Knicks, e mais tradicional ginásio pra jogos e shows (tem hockey lá também) e visitas no lugar.
E prédios históricos:
1- Flatiron building, na esquina tripla da 23, 5a e Broadway, muito louco, primeiro arranha ceu de NY, e tem uma forma toda louca, perto do Madison Square.
2- empire state (la perto também, que decir)
3- grand central (estaçao central, orbigatório ir também), e lá do lado tem o prédio mais bonito de NY, na minha opiniao, obrigatório ir também, o Chrysler Building, na 42 com a lexington ( http://en.wikipedia.org/wiki/Chrysler_Building)
4- E lá pertinho, do outro lado, tem o prédio da ONU, que é obrigatório ir também (na 46 com a 1a- metrô 42nd grand central)- http://www.aviewoncities.com/nyc/unitednations.htm . Tem que fazer o tour, pra ver o conselho de segurança e o prédio inteiro que é uma obra de arte.
5- Mais pro sul, pertinho da balsa, e na regiao mais antiga de NY, tem a Wall street, rua merdinha, mas tem que passar a mao nos bagos do touro, como fazem os manos, pra dar sorte, tem que ir na trinity church, igrejinha pequena no fim da rua, e de lá pro Ground zero, onde eram as torres gêmeas e agora deve tá tendo a reconstruça da bagaça. histórico também. Por aí também é legal dar uma andada pra ver como era diferente a cidade, ruas mais estreitas e ver o Five Points, de onde nasceu Manhattan ( http://en.wikipedia.org/wiki/Five_Points,_Manhattan)
6- Ir no pier 17, south street port, legalzinho, tem umas lojinhas, vista do hudson river, barquinhos. bem bacana ( http://www.virtualtourist.com/travel/North_America/United_States_of_America/New_York_State/New_York_City-841252/Things_To_Do-New_York_City-South_Street_Seaport_Pier_17-BR-1.html )
7- Em staten island tem uma reserva e um lugar onde ficam os monges budistas, sei lá.
Bao, fora isso tem os lugares tradicionais muito loucos, como o Times square, perto de tudo, central park, sei lá.
Acho que é isso.
Espero que façam tudo, pelo menos o que tiver mais a ver.
E curtam muito.
ah, quando chegarem em ganas, os caras vao falar das reunioes, encontros, mas nunca nada é obrigatório, entao dá pra dar migué sussegado e ir passear, que os caras nao ficaram chateados. Façam sandubinhas e aproveitem a cozinha da casa de vocês, e aproveitem pra lavar as roupas todas. Perguntem pros figuras todos e se der conversem com os mano. sao estranhos, mas sangues.
Bao, é isso companheiros.
depois mandem as fotos
milhoes de beijos
nóis
Começo das dicas do mundo
em fase de retomada do blog, começarei a publicar um monte de email e anotação minhas e de muitos amigos meus pelo mundo.
Começarei a seguir pelas minhas dicas de NY.
Abraço!
sexta-feira, novembro 26
Receita de Sangrita

Bom, fui pro México e uma das grandes novidades que tive foi a tequila.
Por lá a coisa é muito mais fina do que a que tomamos abaixo do Equador (normalmente a que nos chega como boa tequila aqui é a José Cuervo, ou pior).
Bom, para mim, o que tomei de melhor por lá, foi uma que se chama "Revolución" (e nisso eles tem experiência de 100 anos).
Enfim, outra novidade da tequila por lá, é que em todo lugar eles servem com uma mistura que garante o bem estar posterior da pessoa. Parece que é uma receita de cura ressaca que você acaba tomando antes de tomar a tequila - e isso se chama "Sangrita".
Vem o copinho de tequila, e junto um copinho igual de sangrita. Parece um tipo de molho, mas que pela pimenta e tudo o que se coloca lá, parece até mais forte que a tequila.
A gente acaba tomando a tequila como alívio da sangrita.
Enfim, lá pelas tantas um garçom sangue bom passou a proporção da braba (não necessariamente fazer essa quantidade):
Para 1 litro de molho de tomate, 200 ml de molho inglês, 200 ml de óleo de soja e 200 ml de tabasco.
Tomou papudo?
PS: quem for, tem que ir no Café de Tacuba (Tacuba é o nome da rua, que fica no maravilhoso centro histórico) tomar isso. Vitral interno impagável.
segunda-feira, outubro 26
Dulzura Distante
del desatino fui amante
mantuve mi voz chillona
voz cantarina y parlante.
Aquel que canta milonga
en tono mayor y anhelante
conoce que en la platea
va el corazón adelante.
Tú siempre dando la nota
la señorita cantante
batuta de tu mirada
y de tu dulzura distante.
Voló voló mi destino
duró mi vida un instante
el cruce de los caminos
y el grillerío constante.
segunda-feira, agosto 3
If it's magic
Mais um exemplar da boa safra de recentes documentários sobre música no Brasil: "Loki", o sobre Paulo Vanzolini, o do Wilson Simonal, o do Cartola, a série de documentários do Chico, e outros, desde o Nelson Freire.
Mas enfim, as músicas cismam em aparecer em horas-chave (plural certo?) na minha vida. Durante o filme, entre uma cena e outra, passam alguns acordes da versão do Caetano da "If it's magic", do Stevie Wonder.
Ela ficou na minha cabeça e fui procurar no meu acervo. Esta música é do melhor disco (se é que há um melhor) do cara, que é o "Songs in the Key of Life", que coloco aqui do lado. Entre outras tem o "Isn't she lovely", "Sir Duke", "Nigculela" etc.
Fui ouvir a música na versão original e realmente é de cair o queixo. Parece que a música foi uma bofetada pra mim, fazendo todo o sentido nesse momento. Lindo, lindo:

"If It's Magic" - Stevie Wonder
If it's magic...
Then why can't it be everlasting
Like the sun that always shines
Like the poets in this rhyme
Like the galaxies in time
If it's pleasing...
Then why can't it be never leaving
Like the day that never fails
Like on seashores there are shells
Like the time that always tells
It holds the key to every heart
Throughout the universe
It fills you up without a bite
And quenches every thirst
So...
If it's special
Then with it why aren't we as careful
As making sure we dress in style
Posing pictures with a smile
Keeping danger from a child
It holds the key to every heart
Throughout the universe
It fills you up without a bite
And quenches every thirst
So...
If it's magic...
Why can't we make it everlasting
Like the lifetime of the sun
It will leave no heart undone
For there's enough for everyone
domingo, julho 19
Fla

Foi tudo muito bom desde o dia em que te notei melhor, num domingo depois de uma chuva de gols. Depois te vi no Rio, e também foi lindo.
Você é tão legal, tão Brasil. Tem o vermelho do índio, o preto do sambão. Tem força de um gigante, tem alegria, tem cachaça.
Só tem um detalhe que dá pena.
E que pena.
Pena que você não é Corinthians.
domingo, julho 5
Salve o Corinthians!
Pra variar fui pro Filial cantar o hino depois do jogo e nunca tinha visto a Vila Madalena daquele jeito. Coisa de louco. As ruas todas tomadas, o pessoal com bandeira na rua, se abraçando, cantando. Muito engraçado. Teve até camarada meu que se empolgou no chopp dos belinho e voltou pra perdizes à pé, cantando o hino.
Bom, eu tenho a fórmula pra levarmos a Libertadores: mantém o time que tá aí, compra o Riquelme (ou Deco) pro lugar do Douglas, o Carlito no lugar do Dentinho, e o Edú (não sei no lugar de quem).
Se rolar isso é só correr pro abraço.
Salve o Corinthians. Eternamente em nossos corações. O clube mais brasileiro.
PS: o Corinthians não está me dando só alegrias. Os seca-pimenteiras de outros times estão com nome em jogo no mercado. Que vontade de tomar um bom scotch preto-e-branco. Demais.
terça-feira, fevereiro 17
Visão do Paraíso
Pois bem, estava eu sem bolsa, pegando dinheiro emprestado com meio mundo, passando frio daqueles, morando em meio cubículo, comendo uma vez por dia, com puta saudade daqui. MAS, tava decidido que tudo isso ia ser compensador (como de qualquer forma acabou sendo), e que aquela experiência acadêmica ia me fazer diferença na vida, mesmo se pra isso tivesse que viver ilegal (o que estava pra acontecer).
Fui para uma aula especial do mestrado com a coordenadora de História do Instituto de Altos Estudos de América Latina da Sorbonne III (Madame Med., se não me engano). O tema era "Visões do Paraíso na América Latina".
A aula foi boa, ela falou de como os navegadores tinham uma visão da América Espanhola recém-descoberta, como o paraíso, e coisa e tal. Mostrou uns slides, não deu espaço pra perguntas (nem no final), passou a bibliografia da aula (só com autores franceses) e foi-se embora.
Bom, vi que alguns alunos falaram com ela no corredor e me senti à vontade pra perguntar a ela sobre se na próxima aula ela iria abordar também o aspecto da América portuguesa e da visão de seus "conquistadores", e se iria usar o "Visão do paraíso".
Ela me respondeu bem secamente que o enfoque dela não abarcava o Brasil (não estaríamos na América Latina, raios!!??). Mas, enfim, como ela era a bam-bam-bam da parada, resolvi insistir: A senhora conhece o livro do Sérgio Buarque?
E ela: quem?
Daí tentei fazer um sotaque francês: Sergiô Buarquê?
E ela: qui?
Daí falei com sotaque espanhol: SSérrrrrio Buarrque?
E ela: Non, je ne connais pas, Monsieur.
Então virou e foi-se embora.
Nesse dia voltei pra minha goma, a 3º abaixo de zero, levando a minha bike na mão e pensando se para quem pesquisava as relações de Brasil e França aquele lugar seria o mais indicado, já que a coordenadora de história do lugar tinha mostrado aquele interesse todo em Brasil.
Sempre que penso nisso concordo com minha decisão de pegar o máximo de documentos, encher minha mala com eles e vir-me embora correndo.
Sem arrependimentos, o que vivi lá foi ótimo (e continua me abrindo portas por aqui até hoje), mas serviu definitivamente para desbaratar aquela imagem de que lá é melhor. É nada.
Os mitos dos viajantes estudados por Sérgio é que estavam certos. Aqui, desde quando Adão viveu no Gênesis (em algum lugar entre o Amazonas e o São Francisco), é o paraíso na terra!
Apesar de tudo, aqui os médicos públicos não deduram os imigrantes ilegais (como na Itália do Berlusconi), nossas moças tem madeixas macias e perfumadas (e não ensebados como os das parisienses) e, principalmente, aqui não tem essa de navalhar mulher grávida só porque ela tá falando outra língua (como na tão civilizada Suíça).
Apesar de tudo, aqui é o Paraíso. Essa é a minha visão.
PS: A França merece, no entanto, todo pensamento positivo, axé e luz pra dois grandes camaradas que se casam/casaram por lá nesses dias: Y. e J. Beijos pros dois casais!! Parabéns!!
segunda-feira, fevereiro 2
Um beijo roubado
E nesses dias aluguei um filme que queria ver desde que tinha passado no cinema, indicação do grande camarada J. Chama "Um beijo roubado" (título original, bem mais a ver, "Blueberry Nights"), do cineasta chinês Wong Kar-Wai.
Pois então, nesse filme descobri que além de tudo a Norah Jones é uma puta atriz. Atua como canta: simples, minimalista, boa de se ver e se ouvir.

O resto do elenco também é bom, com o Jude Law (galãzinho, mas bom ator, que fez, entre outros, a refilmagem de "Alfie" e "Closer"), a elegante Natalie Portman (colega de Law em "Closer", "Guerra nas Estrelas", "Viagem a Nardjeeling", etc.), e Rachel Weisz, a mina de "O Jardineiro Fiel". A trilha sonora é da própria Norah Jones.
Quem não viu tem que ver.
Filme super sensível, uma espécie de "Encontros e Desencontros", só que mais feminino e que vai pelos Estados Unidos profundo, numa viagem principalmente interior da personagem. Fala com delicadeza de como o amor (em seus diversos níveis) tem o seu tempo certo e de como pode interferir na vida e na história das pessoas.
Agora, depois de passada a minha temporada de estudos frenética, vou buscar outros filmes do chinesim (que também são super elogiados), pra ver na minha super-nova-TV* (demaix).
Fui. Mas vorto.
PS: aliás, pra quem quer ver mais, tem o trailer no site do filme, que dá uma idéia. É só clicar no nome do filme, acima no texto.
PS2: Pra quem não reconhece o mano de Black Pau aqui do lado, esta é a capa de um dos primeiros discos do Tim Maia, de 1971. Coisa fina. Tá fora de catálogo, mas tem em alguns blogs por aí.
*aliás, alguém tem idéia de como fazer uma TV funcionar como monitor do computa?
quinta-feira, janeiro 1
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
segunda-feira, dezembro 29
Little Joy
Só sei que esses manos mandam muito bem, mistura dos dois conjuntos dando uma coisa meio Velvet Underground & Nico nos seus momentos mais lentinhos, mas sem a aridez nova-iorquina do Velvet, e sim com um tom mais ensolarado californiano.
Coisa fina. Vale a pena a olhadela aqui (tem a maioria das músicas do disco que será lançado aqui em janeiro e uns vídeos).
Pra quem gosta de Los Hermanos dá pra identificar a pegada desse com as músicas mais legais do último disco da Banda ("4"), não coincidentemente de autoria do Amarante.
Daqueles discos agradáveis pra ouvir e ao mesmo tempo envolventes. Rock despretensioso, com uma pegada meio anos 50, mas com um pé no modernete legal.
Também ouvi ontem o disco solo do Marcelo Camelo, mas apesar de ser muito bom (umas coisas só violão, bem bonitas), é um disco que te joga mais pra baixo, com várias faixas dele falando com Deus e sobre saudade, e algumas abusando um pouco daquele clima carioca festivo, baile de máscara da turminha da Zona Sul carioca (o que eu e o camarada Tatu chamamos de juventude festiva de Botafogo, ou galera mambembe-nariz de palhaço).
Amarante, ao contrário, parece que tá mais pra cima, sem abusar da alegria boba, por isso achei ótimo o nome da banda (Little Joy).
De resto, pra quem quiser se aprofundar mesmo, tem a entrevista do Amarante na Trip, que tá muito boa.
Enfim, é isso.
PS: Aliás, eles vão fazer um show um São Paulo no fim de janeiro, num pico da Barra Funda. Uhu.
sexta-feira, dezembro 26
Ranking dos 10 melhores filmes de todos os tempos
Segura:
10º - A Noite, de Antonioni. Com o Marcello Mastriani e Sophie Moreau (se não me engano). O filme tem uma fotografia linda, de Milão nos anos 60, uma trilha sonora de jazzera (o filme é no esquema do "La Dolce Vitta", só que é melhor). Tem umas horas meio estranhas e sonolentas, mas está no ranking principalmente pelo seu final, quando a mulher relê uma carta que o próprio marido tinha escrito pra ela no começo do casamento deles (e o cara não se lembra) - aqui está. Animal.
9º - Alta Fidelidade. Filme meio B americano, não entrou no circuito pra valer. Baseado no romance do Nick Hornby, é sobre o dono de uma loja de discos que tem mania de fazer ranking pra tudo na sua vida (opa! qualquer semelhança é mera coincidência), e que fica cruzando sua vida, seus amores, com a música. Um filme com trilha sonora excelente. Trailer aqui.
O livro depois baseou aqui uma peça que chamava "A vida é feita de som e fúria", que ficou no Sesi um tempão, com atores ótimos, roteiro, história boa, montagem inovadora. Tudo a ver. Tinha colocado antes nessa posição o documentário "Garrincha, alegria do povo", que desceu pro meu top 20. Mas voltando ao assunto do circuito mais alternativo americano, tem outro filme que vale a citação e que eu adoro, que é o "Magnólia", de Paul Thomas Anderson. Filme total absurdo, mas lindo, lindo. Outros do underground americano que valem uma olhada são o "Os Excêntricos Tennebauns" e "Viagem a Darjeeling", de Wes Anderson.
8º - A primeira noite de um homem. Apesar da versão em português ser péssima (o original é "The Graduate"), o filme é muito bom. A trilha sonora original é do Simon e Garfunkel ("Mrs. Robinson", "The sound of silence", ...) e um monte de música incidental bacana, como o violão fazendo o barulho do carro morrendo, por exemplo. O filme na verdade fala daquela angústia que dá depois que a pessoa se forma e cai no mundo, sobre o que vai ser da sua vida (angústia que sempre continua). O cara (Dustin Hoffman bem novinho) tá excelente no papel. Perdidasso, sem rumo, sem nada- e faz da namorada perdida a sua única certeza. Excelente. O trailer aqui.
7º - Paul is dead. Filme que não chegou a entrar em cartaz por aqui, mas vi em uma mostra no Masp, faz uns anos. É de um diretor alemão que foi criado em São Paulo, chamado Hendrik Handloegten. O filme é excelente, é sobre um menininho no fim dos anos 70, começo dos 80, que vai descobrindo aquela história de que o Paul Mcartney teria morrido em um acidente de carro no auge dos Beatles e que um sósia teria o substituído. Sob a influência de um vendedor de discos ele aos poucos vai vendo os indícios disso nas capas dos Beatles e vai entrando nessa paranóia, até que o fusca branco da capa do Abbey Road (mesma placa e tudo) aparece na sua cidade, no interior da Alemanha e ele descobre que o dono do fusca é o seu professor de inglês!!!
A forma com que o filme é contada é super delicada e engraçada, bem representativo dos bons filmes alemães dos últimos tempos. A grande pena é que não dá pra ver mais o filme por aqui, nem em locadora. Parece que a família do Paul Mcartney está impedindo a sua exibição e distribuição.
Mais sobre o filme aqui. Antes tinha colocado nessa posição "Os irmãos cara-de-pau", mas esse saiu do top ten.
6º - Golpe de Mestre. Filmasso com Robert Redford e Paul Newman (uma dupla como Clooney e Pitt dos anos 70, mas bem melhor). Melhor exemplo daquele tipo de filme do golpe do bem (que já tinha sido feito pelo Sinatra e Rat Pack, e atualmente por filmes como "11 homens e 1 segredo", ou pelos argentinos em "Nove Rainhas"). Se passa nos anos 20, só com trilha sonora do Scott Joplin (compositor de Ragtime, estilo precursor do jazz). Aqui estão algumas cenas, com o fundo musical do "The Entertainer". Isso é que filme de armação!
PS: Tinha colocado antes nessa posição o "Curtindo a vida adoidado", que foi gongado depois da lembrança deste filme.
5º - Pulp fiction. Tarantino no seu melhor (apesar de ficar na dúvida se colocava esse ou o Kill Bill, também auge tarantinesco). Está aqui pelo roteiro, pela trilha sonora (principalmente a do All Green), com frases ótimas, estilo temporal indefinido (alguém chuta em que época se passa o filme?) e por ser todo recortado. Trecho sobre hambúrgueres!
4º - Play it again, Sam (não lembro do nome em português). Não queria colocar dois filmes do mesmo diretor e sei mesmo que esse nem é o melhor do Woody Allen, mas é um dos que eu mais gosto dele. É da fase em que ele ainda fazia comédia pastelão, e é sobre um crítico de cinema que só se dá mal com a mulherada. Tem o Humphrey Bogart perseguindo ele como se fosse um alter ego, que fica mandando ele xavecar de um jeito, e ele acaba se atrapalhando mais ainda. Muito engraçado (aqui uma parte do filme).
3º - Paris, Je t'aime. Pra mim esse tem razões óbvias para estar aqui. Na verdade ele é um conjunto de curtas de diferentes diretores sobre os arrondissements (bairros) de Paris. Se todos os curtas fossem tão bons quanto o sobre Montparnasse, 14º arrondissement, o filme estaria no topo da lista. Este curta sobre Montparnasse é narrado por uma turista americana lendo a redação de francês que ela escreveu sobre sua viagem a Paris, e termina com uma cena dela comendo um sanduba e se ligando sobre a alegria e a vida, bem no Parc Montsouris - que ficava de frente pra minha janela. Engraçado, delicado e emocionante. É pena que os outros curtas do filme (com exceção de um sobre o assassinato de um imigrante negão e do curta do Walter Salles) não consigam manter a mesma qualidade. Trailer aqui.
2º - Cidade de Deus. Pra mim o melhor filme nacional (depois vem o Terra Estrangeira, também ótimo). Fotografia animal e trilha sonora idem. Puta filme. Tá aqui o Zé Pequeno!
1º - Manhattan, Woody Allen. Obra-prima do cara. Todo em preto-e-branco, é sobre as relações do cara com o grande amor da vida dele: sua cidade. Os diálogos são muito bons, a história dos encontros e desencontros tem umas cenas lindas (quando como ele pensa, sozinho, o que vale a pena na sua vida), ou a abertura do filme, quando ele começa a tentar definir Manhattan. A trilha sonora é só de músicas de George Gershwin, tocadas pela Filarmônica de NY. Uma beleza só. Definitivamente é o meu filme preferido e é por isso que, ao contrário do ranking das músicas, com 11, esse pode ser um Top ten mesmo. Aqui o comecinho.
quarta-feira, dezembro 17
Lista dos onze melhores discos de todos os tempos
Espero que ele, agora com tempo livre de sobra por causa de um acidente infeliz (Norteña nunca mais Man! agora só Antarctica, que tem a garrafa menor e ainda por cima surgiu na nossa Água Branca!), possa responder a esse desafio replicando em seu blog, carente de ser alimentado.
Bom, aí vai. E que rufem os tambores:
11º - Jackson 5, disco sem nome, de capa vinho, acho que é o primeiro deles na Motown. Fase áurea do Michael Jackson. Swinguera.
10º - Transa, Caetano Veloso. Ele no auge, todas músicas e versões clássicas, puta viagem.
9º - Os dois da Ella Fitzgerald com o Louis Armstrong. Só a nata do jazz, com solos e versões definitivas.
8º - Raphael Rabello tocando Dilermando Reis, citado aqui em excesso ultimamente.
7º - Aos meus caros amigos, Chico Buarque, arranjos excelentes, disco alegrão, o mais completo.
6º - Voz e violão, João Gilberto, o da capa da Camila Pitanga pedindo silêncio. Só ele e seu Tárrega, sussurra e assombra.
5º - Nervos de Aço, Paulinho da Viola, da fase mais estranha e obscura dele, mas obra-prima, com músicas como "Roendo as unhas" e "Comprimido", fantástico (difícil apontar só um disco do Paulinho).
4º - Abbey Road, Beatles, uma música emenda na outra, fase iluminada, melhor capa de todos os tempos. É mole ou quer mais?
3º - João Gilberto novamente, disco sem nome, aquele de capa branca, gravado no México, com várias instrumentais e de autoria dele. Só ele e um percussionista muito bom, que não é mencionado no disco, (acho que é o Naná).
2º - Antônio Brasileiro, Tom Jobim, disco de despedida do Tom, parece um epitáfio musical dele, arranjos excelentes, canta com a filhinha, com o Caymmi, com Sting. Todo brasileiro deveria ter dois desse (um pra ouvir e outro pra guardar no cofre). Jóia rara.
1º - Não tive coragem de listar um como o melhor de todos os tempos (por isso onze). Não dá, seria injustiça com todos estes e os outros. Aceito sugestões.
sábado, dezembro 6
Noite nos olhos
Posso dizer que ninguém conhece a noite como eu. Já vivi muito com ela.
Pra conhecer verdadeiramente a noite, é preciso encará-la de frente, sem medos, sem titubeio, é preciso ter coragem pra ver sua cara.
Muita gente tenta iludir a noite, toma calmante, remédio pra dormir, bebe pra driblar a sua escuridão.
Mas pra entender e ver a verdadeira face da noite, é preciso se dar, ouvir o seu barulho, o que ela tem a dizer, e isso só acontece quando todo o resto está em silêncio.
Tem gente que tenta transformar a noite em dia, tentando viver num eterno clarão. Quando anoitece, vai pra bares iluminados, com todo mundo vivendo como se fosse dia, pega fila de bar como se fosse banco, conversa nos balcões como se fosse o cafezinho do trabalho, paga altas contas como se fosse um supermercado de alegria. Ali, engana-se a noite, tudo é dia, tudo é claro, tudo é feliz, e para isso é preciso pegar trânsito, dificuldade de estacionar, pagar o preço de ludibriar a noite, encarando-a como um dia sem fim.
Pra ver a face da noite, que é bem escurinha, é preciso se enlaçar com ela, aceitar a sua existência e o que ela diz, é nela que as verdades do seu dia aparecem, é ela quem lhe joga na cara suas fraquezas, é ela que escancara seus maiores medos.
Mas não se pode fechar os olhos pra isso. Porque os olhos só poderão se fechar depois que a voz da noite for ouvida e bem digerida.
Já trabalhei muito de noite, passei noites em claro estudando, e foi durante a noite que muito aprendi. Ela me abraçou de diversas maneiras. Já toquei violão com a noite, já vi noites lindas: com vento, algumas com neve, outras com luas claríssimas. Já acompanhei a noite de várias formas - só eu e ela.
A noite também não é egoísta, ela aceita ser dividida com mais de uma pessoa, desde que estas se comprometam a sentir o que a noite tem a dizer e se entregarem a ela. E nestes casos aí, também vivi noites inesquecíveis, quando a noite desmacara pudores e revela amores. Desnuda e desduda.
É preciso entender a noite, deixar-se envolver por ela, dar-se a ela, ver a sua cara preta, escutar o que ela tem a lhe dizer, não ter medo de careta.
Porque só depois da verdadeira escuridão da noite é que o dia fecundo aparecerá. O claro que te ilumina acenderá.
Sei disso.
Então aceito a noite como ela é, ouço-a cada vez mais, e espero um dia poder, depois de respeitá-la e entender o que ela tem pra me dizer, me entregar, respirando a sua fecunda paz derradeira e ressucitando em uma manhã gloriosa.
Enquanto não tenho isso, encaro ela cotidianamente e a levo comigo pra cima e pra baixo, pra onde vou, mesmo durante o dia, na escuridão que insiste em morar embaixo dos meus olhos.
terça-feira, dezembro 2
Jongo (João Pernambuco) - por Raphael Rabello
Taí uma das músicas que fazem parte do disco descrito abaixo. Sensacional. Ele chama o João Pernambuco de "o Nazareth do violão".
Destaque para a risadinha dele depois da música. Assim parece que até é fácil.
Pra mim, depois do Dino e do Zezinho, esse é o meu violonista de 7 cordas preferido.
Beleza Pura.
sábado, novembro 29
Santos
Sem dar pé, subo e desço com a marola do lodo, no fundo do mar.
Tentando equilibrar o copo de batida, sujo de areia.
Sobrevivo apesar de tudo, minha cabeça fica pra fora.
Do jardim, lembra Venice Beach. Da areia, o Golfo Pérsico.
Piada sem graça pra um dia triste na meca das pombas sujas e dos desinfelizes.
O seus canais foram inundados de lágrimas. A ação do tempo enferrujou a geladeira e congelou os corações.
Ciudadela de mierda.
sexta-feira, novembro 7
sábado, outubro 25
São Paulo
Um de seus maiores defeitos é a política. Políticos como Adhemar de Barros, Kassab, Pitta, Maluf, Afif, Serra, continuarão a ser seus comandantes, ad eternum.
A esquerda aqui só é possível no desespero, pra salvar a cidade do caos. Somente nesses casos. Foi assim que Erundina ganhou, sucedendo a cidade de Jânio, e a Marta, quando sucedeu o caos de Pitta.
Infelizmente é uma das características que não me fazem orgulhoso da cidade onde nasci. Assim como o Corinthians, outra paixão incondicional, São Paulo parece ser condenada a não ter governantes à sua altura, que poderiam torná-la o que ela poderia ser.
Mas ninguém é perfeito.
Vamo que vamo.
sexta-feira, outubro 17
O melhor de todos
Sempre foi bem CDF e disciplinado e era visto como prodígio nesta arte, um sem igual. Até acontecer um acidente e em uma transfusão de sangue ele pegou AIDS.
A partir daí, dizem que ele ficou desesperado, achando que ia morrer. Então começou a produzir freneticamente. Se trancava nos estúdios, começou a cheirar feito um louco.
Em pouquíssimo tempo lançou inúmeros discos. Sem parar. Um atrás do outro. Todos geniais.
Entre eles está o que considero uma obra-prima. Na verdade considero sem dúvida nenhuma o melhor disco instrumental do Brasil em todos os tempos (isso se não for o melhor de qualquer categoria).
É esse disco aqui de cima, onde ele só toca músicas do repertório de Dilermando Reis (mas também compostas por outros gênios, como Américo Jacomino e João Pernambuco). Acho o melhor porque ele conseguiu juntar todos esses fora-de-série, em interpretações memoráveis (pizzicatos, rasgeados, porra-louca mas minimalista, será possível?). Tava possuído, iluminado. Santo. Deus.
Juntou o repertório que todo brasileiro deveria ouvir diariamente antes de dormir.
Gênio da raça.
